A semana em que a escola resolveu testar os limites da criatividade materna

Uma semana. Quatro temas. Duas crianças. E uma mãe tentando descobrir de onde vai tirar tanta criatividade! 😂 Na escola das minhas filhas, a semana temática começou com cabelo maluco, mas ainda teremos fantasia, dia do pijama e, para fechar com chave de ouro, o misterioso “dia do ridículo”. Entre elásticos, penteados improvisados, roupas temáticas e pequenas crises criativas às 5h30 da manhã, essa crônica é uma divertida reflexão sobre as situações inusitadas que a maternidade coloca no nosso caminho. Porque ser mãe também é ser cabeleireira, figurinista, estilista e produtora de eventos — tudo antes do café da manhã. E, no meio dessa loucura, perceber que são justamente essas pequenas experiências que ajudam a construir as memórias da infância. ❤️

CRÔNICAS E HUMOR

Cinthia Lacerda

10/7/20265 min ler

A semana em que a escola resolveu testar os limites da criatividade materna

Existe uma frase que deveria vir escrita na agenda escolar de qualquer mãe:

“Atenção: as próximas informações poderão gerar trabalho adicional.”

Porque quando a escola manda um comunicado dizendo que vai ter uma semana temática, normalmente a gente pensa: que legal!

Até ler o restante.

Terça: cabelo maluco.
Quarta: dia da fantasia.
Quinta: dia do pijama.
Sexta: dia do ridículo.

Pausa.

Dia do ridículo.

Eu gostaria de conversar com o responsável por essa ideia.

Não para reclamar.

Só para entender.

Porque, veja bem, eu já estava administrando minha existência normalmente. Acordando cedo, cuidando de criança, trabalhando, tentando manter a casa minimamente habitável e lembrando de todas as coisas que uma mãe precisa lembrar.

Aí alguém decidiu que, além de tudo isso, eu precisava ser diretora criativa de figurino infantil quatro vezes na mesma semana.

E foi assim que começou a minha nova carreira.

Produtora de eventos temáticos para duas crianças de dois anos.

Na segunda-feira, o desafio era o cabelo maluco.

E olha… eu fiz.

Não vou dizer que foi uma obra-prima.

Mas também não vou dizer que não houve esforço.

Houve planejamento.

Houve elástico.

Houve cabelo puxado.

Houve aquele momento em que eu olhei para o relógio e pensei:

“É isso. O que saiu daqui, saiu.”

Duda e Lulu foram para a escola.

Participaram.

Sobreviveram.

Eu também.

Uma vitória para a família.

Só que eu ainda não tinha entendido que aquilo era apenas o primeiro episódio.

Porque amanhã é o dia da fantasia.

E aí começa outro problema.

Porque fantasia, para mim, sempre foi uma coisa simples.

A criança escolhe uma fantasia.

A mãe veste.

Fim.

Mas não.

Hoje em dia parece que existe uma expectativa silenciosa de que a criança deveria aparecer na escola como se tivesse acabado de sair de uma produção cinematográfica da Disney.

E eu estou olhando para minhas duas filhas pensando:

“Meninas, vocês têm duas fantasias. Escolham uma e vamos fingir que isso foi planejado.”

😂

E aí vem quinta-feira.

Dia do pijama.

Esse eu achei fácil.

Até lembrar que são duas crianças.

Duas.

Então não basta encontrar o pijama.

Tem que encontrar os dois pijamas.

De preferência limpos.

De preferência que ainda sirvam.

De preferência que não estejam naquele misterioso estado de “está limpo o suficiente para usar, mas se eu mandar para a escola com isso alguém vai descobrir que estou improvisando”.

E sexta-feira…

Ah, sexta-feira.

O dia do ridículo.

Esse me pegou.

Porque o problema do “ridículo” é justamente a falta de definição.

Ridículo como?

Ridículo engraçado?

Ridículo proposital?

Ridículo fashion?

Ridículo infantil?

Ridículo “minha mãe perdeu completamente a sanidade”?

Porque, dependendo da interpretação, eu tenho material suficiente para montar uma coleção inteira.

Aliás, pensando bem, talvez o dia do ridículo seja o mais fácil.

É só eu deixar as crianças escolherem a própria roupa.

Pronto.

😂

Mas essa semana toda me fez pensar numa coisa curiosa sobre a maternidade.

A gente fala muito sobre as grandes responsabilidades de criar filhos.

Educação.

Alimentação.

Sono.

Saúde.

Escola.

Limites.

Desenvolvimento.

Segurança.

Futuro.

E ninguém fala sobre a quantidade de decisões absolutamente aleatórias que uma mãe precisa tomar ao longo do dia.

“Posso colocar meia de cores diferentes?”

Pode.

“Posso levar esse brinquedo para a escola?”

Não.

“Posso usar o vestido de princesa para dormir?”

Hoje não.

“Posso comer banana com ketchup?”

Definitivamente não.

“Qual fantasia eu vou usar amanhã?”

...

Meu amor, a mãe também não sabe.

E acho que é justamente isso que torna a maternidade tão engraçada.

A gente passa de decisões extremamente importantes para situações completamente absurdas em questão de segundos.

Cinco minutos antes, tu está pensando sobre a educação dos teus filhos.

De repente, está procurando um elástico rosa porque a filha decidiu que o cabelo precisa ficar igual ao da irmã.

E não pode ser qualquer elástico.

Tem que ser aquele.

O outro não serve.

Porque criança pequena tem critérios que a ciência ainda não conseguiu explicar.

E talvez exista uma parte da maternidade que seja justamente essa:

aprender a improvisar.

Tu não sabe como vai fazer.

Mas faz.

Não sabe se vai dar certo.

Tenta.

Não sabe se vai ficar bonito.

Manda mesmo assim.

E, no fim, quando vê as fotos, pensa:

“Bah… até que ficou querido.”

Foi exatamente o que aconteceu hoje.

Eu acordei cedo sem ter a menor ideia de como faria o cabelo maluco das duas.

E agora estou aqui olhando as fotos e pensando que talvez elas não tenham ficado exatamente como eu imaginava.

Mas ficaram como a nossa manhã permitiu.

E isso tem um valor enorme.

Porque maternidade não é Pinterest.

Não é Instagram.

Não é aquela mãe que acorda às 5h da manhã, prepara um café da manhã nutricionalmente equilibrado, faz penteados dignos de salão, monta uma lancheira temática, coloca a criança na escola impecável e ainda sai de casa com cabelo escovado e sorriso no rosto.

Se essa mãe existe, eu respeito.

Mas gostaria de conversar com ela.

Principalmente para descobrir:

QUE HORAS ELA DORME?

😂

Eu sou muito mais a mãe que acorda às 5h30, olha para o relógio, olha para duas crianças e pensa:

“Tá. Vamos lá. O que dá para inventar?”

E talvez seja justamente essa mãe que minhas filhas vão lembrar.

A mãe que tentou.

A mãe que improvisou.

A mãe que fez cabelo maluco.

Que amanhã provavelmente vai procurar uma fantasia pela casa.

Que quinta vai mandar duas crianças de pijama para a escola.

E que na sexta-feira vai estar diante do guarda-roupa tentando descobrir se “ridículo” combina com “bom senso”.

Provavelmente não.

Mas vamos tentar.

Porque no final das contas, essas atividades não são realmente sobre cabelo, fantasia, pijama ou roupa ridícula.

São sobre infância.

Sobre brincar.

Sobre olhar para o coleguinha e perceber que ele também está vestido de um jeito diferente.

Sobre chegar em casa e contar:

“Olha o que eu fiz hoje!”

E eu quero que minhas meninas tenham essas memórias.

Mesmo que para isso eu precise passar quatro manhãs por semana tendo pequenas crises criativas.

Porque um dia elas vão crescer.

E talvez não precisem mais da mãe para escolher a roupa.

Não vão mais precisar que eu faça penteado.

Não vão mais achar engraçado quando eu inventar alguma coisa para elas.

Então, enquanto elas ainda precisam…

vamos brincar.

Vamos fazer cabelo maluco.

Vamos vestir fantasia.

Vamos de pijama.

Vamos ser ridículas.

E, se necessário, vamos inventar alguma coisa completamente sem noção às 5h30 da manhã.

Porque aparentemente é isso que significa ser mãe.

Tu recebe um comunicado da escola numa segunda-feira e, até sexta, precisa ser:

cabeleireira, figurinista, estilista, produtora de eventos e especialista em ridículo.

Tudo isso antes das 7h da manhã.

E ainda tem que trabalhar depois.

😂

Senhoras mães, desejo força.

Hoje vencemos o cabelo.

Amanhã enfrentaremos a fantasia.

Quinta-feira teremos o pijama.

E sexta…

Bom.

Sexta-feira Deus nos abandonou no “dia do ridículo” e cada uma por si.

KKKKKKKK.

Mas, sinceramente?

Que venham os penteados tortos, as fantasias improvisadas, os pijamas e as roupas absurdas.

Porque daqui a alguns anos talvez eu dê tudo para voltar para uma manhã em que o meu maior problema era descobrir como fazer duas crianças de dois anos parecerem ridículas o suficiente para uma atividade escolar.

E, pensando bem…

eu provavelmente já tenho experiência suficiente para isso. 😂❤️

Escrito por: Cinthia Lacerda