Por que os animais ocupam um espaço tão grande na nossa vida?

Como um animal que não fala a nossa língua consegue ocupar um espaço tão profundo na nossa vida? Talvez a resposta esteja naquilo que compartilhamos sem perceber: rotina, presença, carinho, pequenas manias e anos de convivência. Neste artigo, conto um pouco da minha história com Simba, Sashimi e Miá, três gatos que fizeram parte de momentos diferentes da minha vida e deixaram marcas muito particulares na minha memória. A partir dessas histórias, reflito sobre o vínculo entre humanos e animais, suas personalidades, o sentimento de família, a saudade e o vazio que fica quando eles partem. Porque, no fim, talvez o tamanho de uma relação não dependa de quantas palavras foram trocadas, mas de quanta vida foi compartilhada.

Cinthia Lacerda

9/19/202612 min ler

Por que os animais ocupam um espaço tão grande na nossa vida?

Em algum momento da vida, quase todo mundo que conviveu de verdade com um animal percebe uma coisa meio difícil de explicar para quem nunca passou por isso: a gente começa achando que está levando um animal para casa e, algum tempo depois, percebe que foi ele quem entrou na nossa vida. A rotina muda, os horários mudam, os móveis passam a ter novos donos, determinados lugares da casa deixam de ser apenas lugares e passam a carregar histórias. E, sem perceber muito bem quando aconteceu, aquele ser que não fala a nossa língua passa a ocupar um espaço enorme dentro da nossa.

Eu descobri isso com gatos. E, olhando para trás, percebo que não tive simplesmente três gatos ao longo da minha vida. Eu tive três relações completamente diferentes, três personalidades, três histórias e três formas de companhia. Simba foi o primeiro. Em 2012, ele chegou com apenas três meses de idade e, de certa maneira, foi ele quem abriu a porta para tudo o que viria depois. Quase um ano mais tarde, em 2013, apareceu Sashimi, com aproximadamente seis meses. Cinco anos depois, em 2018, foi a vez de Miá chegar, já adulta, com algo em torno de cinco ou seis anos. Eles não chegaram juntos, não tinham a mesma idade, não tinham a mesma personalidade e não ocuparam o mesmo lugar na minha vida. Mas os três acabaram fazendo parte da mesma história.

E talvez seja justamente aí que comece a pergunta que me interessa: como um animal consegue se tornar tão importante para nós sem sequer conseguir conversar conosco da maneira como conversamos com outra pessoa?

A resposta parece simples quando pensamos apenas em companhia. Um animal está ali. Dorme perto. Pede comida. Brinca. Faz bagunça. Aparece quando estamos em casa. Reconhece nossa presença. Cria hábitos conosco. Mas, quando olhamos com mais atenção, percebemos que existe alguma coisa muito maior acontecendo. Existe convivência. Existe reconhecimento. Existe expectativa. Existe rotina compartilhada. Existe personalidade. E existe memória.

Talvez a gente subestime o tamanho que uma presença pode ocupar justamente porque ela não precisa falar para existir.

O primeiro foi Simba

Quando o Simba chegou, em 2012, ele tinha apenas três meses. Era um filhote entrando na minha vida, e eu ainda não tinha como imaginar que aquele pequeno gato seria o primeiro capítulo de uma história que duraria muitos anos.

Existe alguma coisa muito particular em acompanhar um animal desde tão pequeno. A gente vê comportamentos que vão mudando, descobre preferências, percebe manias, aprende os sinais que indicam fome, sono, irritação ou vontade de brincar. Aos poucos, começa a reconhecer aquele indivíduo específico. Não “um gato”, mas aquele gato.

Isso parece uma diferença pequena, mas não é.

Quando alguém fala “gato”, estamos falando de uma espécie. Quando eu penso no Simba, estou pensando em um indivíduo. O nome carrega uma história inteira que nenhuma definição sobre gatos consegue resumir.

E talvez seja isso que aconteça com todos os animais que realmente convivem conosco. Eles deixam de ser representantes de uma espécie e passam a ser pessoas — no sentido afetivo da palavra — dentro da nossa própria narrativa.

Não estou dizendo que gatos sejam humanos ou que devamos ignorar as diferenças entre espécies. Pelo contrário. Uma das coisas mais bonitas de conviver com um animal é justamente descobrir que ele não precisa ser humano para ter uma personalidade própria.

O Simba era o Simba.

A Sashimi era a Sashimi.

A Miá era a Miá.

E quem conviveu com eles sabia disso sem precisar de explicação.

Depois veio a Sashimi

Quase um ano depois do Simba, em 2013, apareceu a Sashimi. Ela tinha aproximadamente seis meses.

E aqui existe uma parte da minha história que eu acho difícil separar da palavra amizade.

Porque eu tive com a Sashimi uma relação de profundo amor.

Foram 11 anos de convivência. Onze anos são tempo suficiente para um animal atravessar várias versões da nossa vida. A pessoa que conheceu aquele animal no começo não é exatamente a mesma pessoa que existe onze anos depois.

Quando a Sashimi chegou, eu tinha uma determinada rotina, determinadas preocupações, determinados sonhos e uma determinada maneira de enxergar a vida. Durante os anos em que ela esteve comigo, muita coisa mudou. E ela estava ali.

Essa é uma das características mais curiosas dos animais: eles não acompanham nossas transformações da mesma forma que nossos amigos ou familiares acompanham. Eles não perguntam sobre nossas escolhas, não dão opinião sobre nossos planos, não sabem exatamente o que aconteceu naquele problema que tivemos no trabalho ou naquela preocupação que ocupou nossa cabeça durante dias.

Mas eles estão presentes.

E talvez essa presença silenciosa tenha um valor que a gente só compreende completamente depois.

A Sashimi não precisava saber qual era o problema para fazer parte daquele momento. Ela não precisava entender a minha preocupação para estar perto. Ela simplesmente existia dentro daquela rotina comigo.

E existe uma intimidade muito particular nisso.

Um animal conhece versões nossas que quase ninguém conhece. Conhece a pessoa que acorda descabelada, a pessoa que conversa sozinha, a pessoa que chega cansada, a pessoa que passa uma tarde inteira fazendo alguma coisa em silêncio. Conhece nossos horários, nossos sons, nossos movimentos e até algumas de nossas manias.

Não é uma amizade baseada em grandes conversas.

É uma amizade baseada em presença.

E cinco anos depois chegou Miá

Em 2018, cinco anos depois da chegada da Sashimi, apareceu a Miá.

Ela já era adulta. Tinha aproximadamente cinco ou seis anos, então sua história começou de um jeito completamente diferente da história do Simba e da Sashimi.

Ela não chegou como filhote.

Chegou já trazendo uma personalidade formada, uma vida anterior que eu não conhecia completamente e hábitos que provavelmente tinham sido construídos antes de mim.

Isso também me fez perceber uma coisa importante sobre os animais: quando eles entram na nossa vida, não estamos começando a escrever a história deles do zero. Estamos entrando em uma história que já começou.

Um animal adulto já aprendeu coisas antes de nós. Já teve experiências, já desenvolveu preferências, já descobriu o que gosta e o que não gosta. E, quando passamos a conviver com ele, precisamos aprender aquela criatura em vez de simplesmente esperar que ela se adapte inteiramente ao nosso mundo.

Talvez isso seja uma das formas mais bonitas de respeito na relação com um animal: entender que ele não nasceu para se encaixar perfeitamente na nossa rotina.

Nós é que também precisamos aprender a conviver com ele.

A Miá chegou depois, mas isso não significa que tenha ocupado um espaço menor.

Essa é outra coisa que aprendi com os três: afeto não funciona como uma prateleira em que precisamos decidir quem ficou em primeiro, segundo ou terceiro lugar.

Cada relação tem sua própria forma.

Eles têm personalidade — e nós percebemos

Existe uma discussão interessante sobre até que ponto podemos falar em personalidade animal. Para quem convive com cães, gatos ou outros animais por bastante tempo, a pergunta às vezes parece quase engraçada.

Porque basta observar.

Tem animal que gosta de colo.

Tem animal que tolera colo por exatamente quarenta e três segundos antes de decidir que a experiência humana acabou.

Tem animal que acompanha a pessoa pela casa inteira.

Tem animal que prefere observar de longe.

Tem o curioso.

Tem o medroso.

Tem o que parece acreditar que a casa inteira pertence a ele.

E tem aquele que olha para nós com uma expressão que parece dizer: “Você realmente achou que eu não perceberia?”

A ciência do comportamento animal reconhece diferenças individuais de comportamento e temperamento entre animais. Isso não significa atribuir a eles uma personalidade humana completa, mas reconhecer que indivíduos da mesma espécie podem apresentar padrões comportamentais diferentes e relativamente consistentes.

E quem convive com eles percebe essas diferenças muito antes de precisar de uma pesquisa para confirmar.

A gente aprende o animal.

Aprende o jeito que ele pede alguma coisa.

Aprende o som específico que faz.

Aprende onde ele gosta de ficar.

Aprende quando quer companhia e quando quer distância.

Aprende até aquele olhar que significa alguma coisa que ninguém de fora entenderia.

É quase como construir um dicionário particular sem nunca sentar para escrever as palavras.

O amor não precisa de linguagem

Talvez uma das coisas que mais me impressione nessa relação seja justamente o fato de que nós conseguimos desenvolver vínculos tão profundos com seres que não compartilham nossa linguagem.

Eu nunca precisei explicar para a Sashimi o que era saudade.

Ela nunca precisou explicar para mim o que estava sentindo.

Ainda assim, existia comunicação.

Isso não significa que animais compreendam tudo o que sentimos da mesma maneira que outro ser humano compreenderia. Também não significa que devamos colocar neles sentimentos humanos automaticamente. Existe uma tendência nossa de interpretar o comportamento animal a partir daquilo que conhecemos, e isso pode nos levar a conclusões equivocadas.

Mas reconhecer essa limitação não diminui o vínculo.

Pelo contrário.

Talvez seja justamente bonito aceitar que existe uma parte da relação que nunca conseguiremos traduzir completamente.

Um gato pode reconhecer nossa voz, nossos cheiros, nossos movimentos e nossa rotina. Pode associar determinadas pessoas a experiências positivas ou negativas. Pode procurar proximidade, brincar, evitar contato ou demonstrar comportamentos que aprendemos a interpretar ao longo da convivência.

E nós fazemos o mesmo.

Nós também aprendemos aqueles sinais.

Talvez a amizade entre humano e animal seja, em grande parte, uma construção de pequenos entendimentos.

Eu não preciso saber exatamente o que passa pela cabeça da Sashimi para saber que aquela presença fazia diferença para mim.

Quando eles vão embora

O Simba foi o primeiro.

Ele morreu em 2019.

Quando o primeiro animal que fez parte da nossa rotina morre, existe uma sensação particularmente estranha porque não estamos perdendo apenas um ser vivo. Estamos perdendo uma parte da rotina.

Existe o lugar onde ele costumava ficar.

O horário em que aparecia.

O som que fazia.

As pequenas coisas que ninguém de fora necessariamente percebe, mas que fazem parte da vida de quem morava com ele.

Depois, em 2024, foi a vez da Miá.

E então, em 2025, a Sashimi.

É curioso como a passagem do tempo reorganiza uma família sem pedir autorização.

Primeiro éramos nós com o Simba.

Depois vieram a Sashimi e, anos mais tarde, a Miá.

Depois o Simba deixou de estar.

Mais tarde, a Miá.

E finalmente a Sashimi.

A casa vai ficando diferente.

Não necessariamente vazia, porque as memórias continuam ocupando espaço. Mas diferente.

E existe uma coisa sobre o luto por animais que ainda me incomoda: às vezes parece que precisamos justificar a intensidade da dor.

“Era só um gato.”

Só?

Se aquele animal esteve ao seu lado durante anos, conheceu sua rotina, dormiu perto de você, fez parte da sua casa e participou silenciosamente de diferentes fases da sua vida, por que a perda deveria ser pequena apenas porque ele tinha quatro patas?

A relação não se torna menos importante por não ser humana.

Se alguma coisa, essa experiência me fez pensar justamente no contrário.

Talvez o tamanho de uma relação não seja determinado pela espécie de quem está do outro lado, mas pela quantidade de vida que foi compartilhada.

E o que fica depois?

Uma das coisas mais bonitas — e também mais difíceis — das relações com animais é que eles deixam uma quantidade enorme de memória.

Ficam fotografias.

Ficam histórias.

Ficam objetos.

Ficam lugares da casa.

Ficam comportamentos que lembramos.

Ficam frases que dizíamos para eles, mesmo sabendo que eles não poderiam responder.

Ficam lembranças que, às vezes, aparecem completamente fora de hora.

E ficam as histórias que continuamos contando.

A Sashimi, por exemplo, continua existindo em alguma medida toda vez que eu conto uma história sobre ela.

Não no sentido de fingir que ela ainda está aqui.

Ela não está.

Mas existe uma diferença enorme entre uma presença física e uma presença na nossa história.

O Simba não está mais aqui, mas foi ele quem abriu aquela história.

A Miá não está mais aqui, mas fez parte de um capítulo que não existiria sem ela.

A Sashimi não está mais aqui, mas onze anos não desaparecem simplesmente porque o calendário avançou.

Talvez seja por isso que algumas relações continuem nos acompanhando mesmo depois que a presença física termina.

Por que os animais se tornam família?

Talvez a palavra “família” assuste algumas pessoas quando usada para animais.

Mas, se pensarmos no significado mais amplo da palavra, fica difícil negar que eles podem ocupar esse lugar.

Família não é apenas quem compartilha nosso sobrenome ou nosso DNA.

Também é quem compartilha nossa vida.

E um animal pode compartilhar uma quantidade impressionante dela.

Ele está presente nos dias comuns, que normalmente são justamente os dias que formam uma vida.

Não apenas nos momentos importantes.

Ele está no café da manhã de uma terça-feira qualquer.

Na noite em que chegamos cansados.

Na tarde em que ficamos em casa.

Na mudança de casa.

Nas férias.

Na doença.

Nas comemorações.

Nos períodos difíceis.

Nas pequenas alegrias que ninguém fotografou.

Talvez seja isso que torne essas relações tão fortes: elas não dependem de grandes acontecimentos.

Elas acontecem no cotidiano.

E o cotidiano, quando olhamos para trás, era a própria vida.

Talvez eles nos ensinem uma forma diferente de presença

Existe uma tendência humana de transformar tudo em produtividade.

Precisamos aproveitar o tempo.

Precisamos alcançar alguma coisa.

Precisamos resolver.

Precisamos planejar.

Precisamos melhorar.

Enquanto isso, um animal pode passar uma quantidade impressionante de tempo simplesmente existindo.

Deitado ao nosso lado.

Observando a janela.

Dormindo.

Brincando com alguma coisa completamente absurda.

Pedindo carinho.

E talvez isso nos ensine alguma coisa que não tem nada a ver com produtividade.

Nem sempre precisamos fazer alguma coisa para que um momento tenha valor.

Às vezes, estar ali já é alguma coisa.

Os animais não precisam transformar a presença deles em discurso. Eles não precisam justificar por que estão perto. Eles simplesmente fazem parte daquele momento.

Talvez nós, humanos, tenhamos esquecido um pouco como fazer isso.

Três gatos, três histórias

Quando penso no Simba, na Sashimi e na Miá, não consigo enxergá-los como uma sequência de animais que passaram pela minha casa.

Vejo três histórias.

Simba chegou primeiro, pequeno, em 2012.

Sashimi veio quase um ano depois, em 2013, ainda jovem, com seus seis meses aproximadamente.

Miá apareceu em 2018, já adulta, com seus cinco ou seis anos.

Eles chegaram em momentos diferentes e partiram em momentos diferentes.

Simba em 2019.

Miá em 2024.

Sashimi em 2025.

Existe algo doloroso nessa linha do tempo, porque ela mostra o passar dos anos de uma maneira muito concreta.

Mas também existe alguma coisa bonita.

Eles estiveram aqui.

Cada um pelo tempo que teve.

Cada um deixou sua marca.

Cada um ocupou um pedaço da minha vida que nenhum outro animal poderia ocupar exatamente da mesma maneira.

E talvez essa seja uma das razões pelas quais sentimos tanto quando eles partem.

Não estamos apenas dizendo adeus a um animal.

Estamos dizendo adeus a uma versão da nossa própria vida que existia junto com ele.

A relação não termina exatamente quando a presença termina

Não sei se existe uma forma correta de lidar com a ausência de um animal.

Talvez porque não exista uma forma correta de amar.

Algumas pessoas guardam fotos.

Outras guardam objetos.

Algumas gostam de falar sobre o animal.

Outras preferem lembrar em silêncio.

Algumas choram durante muito tempo.

Outras conseguem sorrir quando lembram.

E pode acontecer tudo isso com a mesma pessoa, em momentos diferentes.

Eu gosto de pensar que os animais que passaram pela nossa vida não precisam continuar presentes fisicamente para que a relação tenha significado.

A Sashimi não precisa estar aqui para que aqueles onze anos tenham acontecido.

O Simba não precisa estar aqui para que eu saiba que ele foi o primeiro.

A Miá não precisa estar aqui para que eu me lembre de que ela chegou quando aquela história já estava acontecendo e, ainda assim, encontrou seu próprio espaço nela.

Eles fizeram parte.

E fazer parte da vida de alguém talvez seja uma das coisas mais importantes que qualquer ser pode fazer.

No fim das contas, talvez seja por isso que os animais ocupem um espaço tão grande na nossa vida.

Não porque sejam humanos.

Não porque sejam perfeitos.

Não porque compreendamos completamente o que pensam ou sentem.

Mas porque, durante o tempo em que estão conosco, eles compartilham uma coisa que é impossível recuperar depois: a nossa vida acontecendo.

Eles estavam lá.

Nos dias bons.

Nos dias ruins.

Nos dias absolutamente comuns.

E são justamente esses dias comuns que, depois de alguns anos, descobrimos que eram os dias que formavam tudo.

Talvez seja por isso que uma fotografia antiga consiga apertar o peito.

Talvez seja por isso que lembrar de um animal possa trazer saudade e sorriso ao mesmo tempo.

Talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos anos, ainda consigamos falar de um gato como se ele tivesse deixado uma pequena impressão digital na nossa história.

Porque deixou.

E eu acho que é isso que o Simba, a Miá e, principalmente, a Sashimi me ensinaram.

Que algumas amizades não precisam de palavras para serem profundas.

Que algumas presenças não precisam durar para sempre para serem importantes.

E que amar um animal talvez seja aceitar, desde o começo, uma das partes mais difíceis desse amor: um dia ele vai embora.

Mas, enquanto está aqui, ele pode transformar completamente a nossa vida.

E depois que vai, continua existindo de outra maneira.

Nas fotografias.

Nas histórias.

Nas lembranças.

Na saudade.

E naquele espaço silencioso dentro da gente onde algumas criaturas continuam tendo uma casa.

A Sashimi morou comigo por onze anos.

Mas, de certa forma, acho que uma parte dela vai continuar morando em mim por muito mais tempo.

E talvez seja justamente isso que significa dizer que alguém — mesmo alguém que nunca falou uma única palavra conosco — fez parte da nossa vida.

Escrito por: Cinthia Lacerda com colaboração de Augusto (IA)